Maria de Lourdes Clara da Silva
Martins nasceu em 26 de Maio de 1926, em Lisboa. Estudou
piano com sua mãe, Maria Helena Martins, e concluiu o Curso
Superior de Piano no Conservatório Nacional de Lisboa, em
1944, com 17 valores, na classe do professor Abreu Mota.
Frequentou também os Cursos de Cravo e de Clavicórdio do
professor Santiago Kastner e o Curso de Composição, que
concluiu com 16 valores, nas classes dos professores Artur
Santos e Jorge Croner de Vasconcelos.
Como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, frequentou a
classe especial de composição do professor Harald Genzmer,
na Escola Superior de Música de Munique, os cursos
especiais de composição de Darmstadt (1960-1961),
orientados por Karlheinz Stockhausen, e os cursos de férias
de Bruno Maderna. Frequentou também estágios, seminários e
cursos intensivos sobre composição e pedagogia musical em
diversos países.
Diplomada pelo Orff-Institut de Salzburg, Áustria,
realizou, a partir de 1960, a versão portuguesa da obra
escolar de Carl Orff (Orff-Schulwerk), de que foi
introdutora em Portugal, organizando cursos para crianças e
para formação de professores que funcionaram na Fundação
Calouste Gulbenkian até 1975. Fez conferências e cursos
intensivos Orff-Schulwerk na Europa, nos Estados Unidos da
América e na América do Sul. Como pedagoga participou,
também, em numerosos congressos internacionais. Foi
professora no Instituto de Música de Coimbra, na Academia
Luís Todi em Setúbal, fundadora e directora da escola de
Música de Torres Vedras e professora na Escola de Teatro e
na Escola de Formação de professores de Educação pela Arte
do Conservatório Nacional. Foi também professora de Análise
e Técnicas de Composição na escola de Música do mesmo
Conservatório.
Como pianista, apresentou-se em recitais em Portugal e na
Alemanha. Recebeu diversos prémios de composição: Juventude
Musical Portuguesa, com Sonatina para violino e piano
(1959); Prémio Nacional do SNI, com Trio (1960); Prémio
Calouste Gulbenkian, com O Encoberto, obra coral sinfónica
sobre texto de Fernando Pessoa (19659; Prémio Calouste
Gulbenkian, com O Litoral sobre texto de Almada Negreiros
(1971).
Foi sócia fundadora da Juventude Musical Portuguesa e da
Associação Portuguesa de Educação Musical, de que foi
presidente da Direcção entre 1972 e 1977. Foi membro da
Direcção da International Society of Music Education entre
1972 e 1976, membro do Conselho Nacional da Música e da
Sociedade Internacional de Poliestética.
Obras principais: Sonatina n.º1 (1947), Grotesca (1959),
Quarteto de cordas (1952), Sonatina n.º 2 (1957), Trio com
piano (1959), Pezzo grotesco (1965), O Encoberto (1965),
Divertimento para Quinteto de Sopro (1967), Convergências (
1970), Sonorità (1970), Litoral (1971), Painéis (1982),
Ritmite (1984), Três Máscaras (1948), Simetria (1985), Dez
Momentos para Cravo (1985), Quatro Poemas da “Mensagem”
(1985), Poema de Fernando Pessoa (1986), 2º Quarteto de
Cordas (1989), Acorde Final (1990), Concerto para Piano e
Orquestra (1990), Divertimento sobre temas de Mozart
(1991).
Adriana Latino
Sítios relacionados - bibliografia e discografia da
compositora:
http://www.mic.pt/cimcp/port/apresentacao.html?/cimcp/dispatcher?where=0&what=2&show=7&pessoa_id=107&lang=PT
http://fonoteca.cm-lisboa.pt/cgi-bin/info3.pl?3199&CD&0