Artigos de Opinião

De A a Z para a Música na Educação

A partir de janeiro de 2017 a APEMNewsletter tem uma nova rubrica: De A a Z para a Música na Educação.

Covidamos professores, investigadores, músicos, artistas de outras áreas, políticos e mais cidadãos interessados, a apresentarem o seu abecedário de Música na Educação.

A partir de palavras organizadas por ordem alfabética, os autores convidados apresentam uma seleção de palavras e uma pequena justificação dessa seleção criando a sua visão sobre a música na educação.

É um desafio, um risco, um exercício criativo e também um bom princípio para refletirmos sobre este tema, que já nasceu no Encontro Nacional da APEM em novembro passado com a temática: “Que futuros para a Música na Educação?”

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De A a Z para a Música na Educação... Madalena Wallenstein

Madalena Wallenstein

Madalena Wallenstein, nascida em Lisboa em 1964, iniciou a sua formação, ainda em criança, no Movimento da Educação pela Arte, na Fundação Gulbenkian nos anos 70, nas áreas da música e do teatro. Estudou no Conservatório Nacional de Lisboa e licenciou-se em Educação.

Trabalhou desde 1987 como educadora artística, alternando a sua atividade entre contextos de criação artística, educação formal e não formal, intervenção pedagógica para crianças e jovens e ainda práticas para professores e artistas. Destaca-se o seu trabalho no Artemanhas, associação cultural que fundou e dirigiu até 2016 e a colaboração com a Fundação do Gil na conceção e coordenação artística da “Hora da Música”, projeto que se realizou em 28 pediatrias hospitalares em todo o país.

Desde 2008 que é a programadora e coordenadora da Fábrica das Artes do CCB. É através desta experiência que desenvolve um trabalho de investigação sobre programação para a infância, criação artística e públicos. Neste contexto, coordenou e foi coautora das publicações da Fábrica das Artes [CCB] “Se não havia, nada, como é que surgiu alguma coisa?”; “Raízes da Curiosidade – tempo de ciência e arte” e “Nós Todos Pensamos em Nós”. A sua atividade de pesquisa tem-se construído a partir da reflexão crítica sobre a experiência de transversalidade entre o campo artístico e o campo educativo e a exploração das potencialidades da educação artística como espaço específico da dimensão estética. Madalena Wallenstein é doutoranda em Educação Artística na Faculdade de Belas Artes do Porto.

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A

de arte, criada a partir de uma intencionalidade vital ligada à beleza, à surpresa, à sensibilidade, à inteligência, à crítica; criação que se desenvolve num processo divergente cujo resultado final é desconhecido à partida e que tem como objetivo provocar um abalo no óbvio, ou seja, espanto. A programação pode estimular, nos processos criativos, a consideração da perceção e atenção dos diversos públicos durante a receção artísticas. Na programação da Fábrica das Artes, desloca-se a ideia de uma arte didática, explicativa ou de entretenimento das indústrias culturais para a ideia de experiência de contemplação, fruição, experimentação e reflexão como oportunidade educativa da dimensão estética do ser humano que se faz no interior de uma arte qualitativa.

B

de Big Bang. Festival de Música e Aventura para públicos jovens é um festival europeu que integra catorze instituições europeias que se juntam com o objetivo de impulsionar a criação e a circulação de novos projetos de música para crianças e jovens da europa. No CCB, o Festival acontece em outubro e vai já na sua 8ª edição: Concertos, instalações, oficinas, Quarto dos Músicos, dentro e fora de portas. Propomos trazer para a programação uma diversidade de propostas que inclui música de qualidade de vários estilos – música antiga, jazz, erudita, eletrónica, rock, … na maioria das vezes colocada em cena na relação com outras linguagens: vídeo, luz, cenários.

C

de Comunidade Educativa seja ela efémera ou continuada e que se funda na experiência e valores partilhados e cooperados; um grupo comprometido em encontrar o que há de comum e de diferente entre os elementos que compõem essa comunidade e que toma isso em conta para que todos se realizem. Quando alguém se realiza isso é educação.

D

de dimensão estética, transversal a todos os seres humanos é desenvolvida na experiência, a experimentação, no conhecimento, na reflexão das linguagens artísticas e na sua relação com o mundo e com a inventividade. Acredito numa educação musical que navega entre a fruição e escuta, a técnica e a repetição, a improvisação e a criação, mas que sempre procura inspiração, poesia, rutura e novidade para construir a sua gramática e o seu arquivo.

E

de educação que conta com a cultura para se fundar porque é a cultura que transforma ensino em educação.

F

de fruição que acontece quando se suspende a noção de tempo cronológico para se entrar no tempo intensivo da arte. É fácil entrar nesse tempo de fruição quando se toca um instrumento com prazer ou se assiste a um concerto musicalmente extraordinário.

G

de gamelão. É um instrumento coletivo da Indonésia, das ilhas de Java e Bali constituído por um conjunto de metalofones, xilofones, kendang e gongos. O termo refere-se tanto ao conjunto de instrumentos como aos seus executantes. Na programação da Fábrica das Artes iremos apresentar um espetáculo música interativo de Elisabete Davis e Teresa Gentil “Larasati“ ou canções para adormecer Estrelas dirigido a crianças dos 0 aos 5 anos. Junta-se o gamelão, a voz e o piano preparado para reunir diferentes culturas e oferecer uma experiência sonora coletiva aos pequenos espetadores.

H

de harmonia, conceito que atravessa toda a história da música e as suas revoluções. Lembra que dois sons concordam em aparecerem juntos.

I

de infâncias. Este plural tem um sentido subtilmente disruptivo porque se propõe por em causa a infância como uma categoria que se agrupa por etapas e que tem de responder à apropriação e reprodução do conhecimento de um mundo que já estava cá antes da chegada dos novos, os que estão não param de chegar pelo nascimento. Este plural de infâncias também convoca a ideia de que o mestre se coloca no lugar de observador do outro que aprende, para aprender como esse outro aprende, para ir ao seu encontro, da sua individualidade e particularidade, porque se aprende inevitavelmente sempre que se quer aprender.

J

de jogo, como impulso lúdico da curiosidade e de desejo de mais saber é a condição essencial para a música na educação: o jogo da procura e das suas tentativas; o lúdico das experimentações; o imaginário do conhecimento e da sua descoberta; a aprendizagem dos processos melhores pelas buscas mais atentas e insistentes; os próprios riscos de tomar a alucinação pela invenção; ou a obsessão propósito - tudo aponta para o caminho da música na educação.

K

de Kalimba. É um instrumento musical pertencente à família dos lamelofones, sendo da categoria dos idiofones dedilhados. Muitos criadores musicais do universo da música experimental e eletrónica têm utilizado a Kalimba para integrar instrumentos inventados.

L

de liberdade e improvisação que pode ser aprendida desde o princípio. Começar logo na iniciação musical a improvisar e a criar a partir de motivos simples abre um caminho entre os vários caminhos a percorrer para realizar uma música na educação sólida. A improvisação é a floresta da música na educação.

M

de mini concertos - Música para Ti. É uma programação da Fábrica das Artes que se organiza por temas anuais. Já aconteceu música erudita; jazz; música do mundo; pop-rock; instrumentos improváveis; e na próxima edição, música da cidade. Trata-se de um espaço íntimo e próximo entre coloca os pequenos espectadores e seus acompanhantes e músicos. O concerto desenrola-se durante trinta minutos e, a seguir, os espectadores podem fazer perguntas e experimentar os dispositivos em cena, numa oportunidade jamais oferecida nas grandes salas.

N

de Niza, Sergio Niza. O pedagogo português que sempre me inspirou, seja na minha vida de professora de música, seja nos múltiplos contextos não formais em que desenvolvi a minha atividade profissional. Um dos Fundadores do Movimento da Escola Moderna, demonstrou sempre a firme convicção de que só a “organização cooperativa do trabalho criativo” pode romper positivamente com o problema maior dos projetos pedagógicos do Estado-nação – o da associação entre disciplina e liberdade. Os lugares de aprendizagem podem começar por ser lugares de democracia e de cidadania. Os instrumentos, procedimentos e filosofia utilizados pelo MEM podem ser aplicados em contextos de sala de aula de educação musical.

O

de Ouvido. Pensante é um livro de Murray Schafer de 1986 que integra uma série de textos sobre o seu trabalho experiencial em educação musical e soundscape desenvolvido em diversos níveis de ensino da música: “O compositor na sala de aula”; “Limpeza dos ouvidos”; “A nova paisagem sonora”; “Quando as palavras cantam”; “O Rinoceronte na sala de aula” e “Além da sala de música”. Schafer partiu da escuta de paisagens sonoras e a gama imensa de sons e conceitos que estas oferecem para refletir profundamente sobre conceitos musicais, para desenvolver atividades criativas e experienciais e propor uma nova pedagogia musical. Ver aqui: https://monoskop.org/images/2/21/Schafer_R_Murray_O_ouvido_pensante.pdf

P

de propagação sonora e exploração sensorial constituem-se como um campo muito interessante a explorar na música, na educação. Voltar ao “princípio” das coisas, aos fenómenos acústicos, re-significa a da paleta de efeitos musicais.

Q

de Quadros de uma Exposição. É uma peça escrita por Mussorgsky. Esta peça surgiu depois de um grande amigo do compositor, o pintor Hartman ter morrido. Mussorgsky escolheu dez quadros do seu amigo e compôs uma música para cada um deles. Este é um bom exemplo de como a inspiração para a criação surge de inquietações fortes e da experiência da vida e do mundo. Há um forte jogo entre a imagem dos quadros e os conceitos musicalmente explorados. Uma boa sugestão para o trabalho de criação na música na educação.

R

de reflexão. É um dos aspetos fundamentais da música na educação seja do ponto de vista de quem aprende seja de quem ensina. Refiro-me a espaço de diálogo sobre os processos ou sobre a experiência.

S

de símbolos artísticos. É o elemento essencial para a leitura de significados de qualquer espetáculo de música, dança ou teatro. O campo de leituras possíveis numa experiência artística leva a tantas significações quantos os espectadores da sala.

T

de teatro, como arte que se potência no encontro com a música, nos ambientes que se ampliam e nas emoções que provoca.

U

de U2. É uma banda de rock irlandesa fundada em 1976. A sua música foi influenciada pela música popular e que explorou o pós-punk. Os U2 através das suas letras de cariz político e poético são considerados musica de intervenção. Influenciaram muitas bandas do novo rock.

V

de Vygotsky. Foi um pensador russo que contribui com descobertas fundamentais sobre o desenvolvimento das crianças e a importância das interações sociais no desenvolvimento. Um dos conceitos mais importantes que influenciaram a pedagogia é “Zona de desenvolvimento proximal” e que explora a relação educativa. Debruçou-se também sobre a importância do jogo e um contributo fundamental foi o seu trabalho sobre pensamento, linguagem e leitura simbólica que abriu caminho para a compreensão das relações entre arte e educação.

W

de Walter Omar Kohan, um filósofo da educação que se tem dedicado à filosofia na infância. Parte da inversão do conceito de educação da infância para infância da educação, problematizando a relação pedagógica. Esta provocação propõe a infância dos inícios, das potências e dos devires e que derruba a parede de vidro que separa crianças, jovens e adultos para, assim, encontrar uma qualidade comum vibrante e espantada mas exigente também: “…infância é devir, sem pacto, sem falta, sem fim, sem captura; ela é desequilíbrio; busca; novos territórios; nomadismo; encontro; multiplicidade em processo; diferença; experiência. Diferença não-numérica; diferença em si mesma; diferença livre de pressupostos. Vida experimentada; expressão de vida; vida em movimento; vida em experiência.” (Kohan, 2003) Podemos também fazer a pergunta invertida: o que é ser adulto? À primeira vista pode parecer distante da educação musical. Penso que o questionamento a estes níveis pode fazer reequacionar a relação pedagógica e manter infantil o modo entusiasmado de fazer e pôr coisas no mundo da educação musical. Ler mais aqui: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0184.html

X

de xilofone, o instrumento mais democrático na educação musical. O xilofone pode fazer tocar num conjunto instrumental o instrumentista mais virtuoso ao mais iniciador. A tarefa constitui-se fonte de foco e atenção mais apurada e de prazer musical individual e coletivo, convocando um esforço pessoal adequado à competência de cada um.

Y

de Yellow Submarine dos Beatles, uma obra já clássica da história do pop e um bom exemplo de como cruzamento de linguagens, neste caso a música e a animação, são um campo rico para a criação. Podemos perguntar o que terá nascido primeiro, a história ou a música, o filme ou a banda sonora? O desvendamento dos processos criativos é um espaço extraordinário para a música na educação.

Z

de zirophone, instrumento inventado por um construtor de instrumentos improváveis do universo da música eletrónica a partir de gira-discos antigos e que numa instalação fascinante, pôs o público em interação numa lógica de DJ.

De A a Z para a Música na Educação... Ana Luísa Veloso

Ana Luísa Veloso

Ana Luísa Veloso: Membro da Direção da APEM

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A

de andamento, ou movimento. Movement, em inglês. A velocidade, o passo, a forma como a música nos embala. Designa normalmente uma secção de uma determinada obra como uma sonata, uma suite uma sinfonia. Tem este nome porque a música é movimento. Porque a primeira sensação que temos ao escutá-la é exatamente esse sentir compassado de ir ao som de, esse sentir que nos atravessa os músculos e que por vezes nos faz, involuntariamente, bater o dedo, o pé, abanar a cabeça.

B

de Biesta. Gert Biesta. Filósofo, Educador, Professor na Brunel University em Londres. Um discurso novo sobre a educação, e escola, os professores, tão próprio para os dias de hoje. Confronta-nos com os nossos conceitos enraizados de democracia e inclusão. Propõe que repensemos a questão da opressão e da liberdade do aluno à luz de filósofos como Rancière. Imprescindível para todos os educadores, inclusive os de música. Ruth Wight faz um trabalho notável nesta aproximação de Biesta à música e ao que poderá ser aquilo que Biesta denomina de Pedagogia de Interrupção. Vejam o artigo em http://act.maydaygroup.org/articles/Wright13_1.pdf

C

de colaboração e criatividade. Dois conceitos que nem sempre andam juntos. Temos a tendência para associar a criatividade ao grande génio solitário, mas a verdade é que cada vez mais se aponta para o facto de que, mesmo estes génios, muitas vezes trabalhavam em parceria, expunham e dialogavam sobre o seu trabalho com mais alguém, alguém próximo, fonte inesgotável de ideias. Em Inglês usa-se o termo Collaborative Criativity, um conceito recente, mas indispensável para compreender fenómenos como o jazz, as bandas rock, ou a improvisação e composição dos nossos alunos, quando é feita em grupos. Em breve publicarei um artigo no British Journal of Music Education que fala sobre isto... Estejam atentos!

D

de Damásio. Comecei a ler Damásio com 16 anos. O livro que li primeiro foi “O sentimento de Si”. Percebi muito pouco e vi de imediato que tinha de ir à fonte, ao seu primeiro livro, “O erro de Descartes”. Deixei-me fascinar e de imediato comecei a estabelecer pontes diversas entre esta teoria das emoções e sentimentos, a música e a educação. Continuei a estudar, li todos os livros e muitos artigos. O resultado desta senda está em parte na minha tese de Doutoramento: https://ria.ua.pt/handle/10773/9066

E

de entrada. Aquele momento que antecede a luz, que antecede o início da música. Silêncio. Normalmente alguém dá um sinal com a cabeça, faz uma pequena respiração que indica “Vamos começar”. É um dos momentos de maior ansiedade para os músicos, e também para o público. Mas nem sempre é preciso um gesto. Sérgio e Odair Assad, dois guitarristas virtuosos, irmãos, contavam que ensaiavam estas entradas de olhos fechados, ou então em partes diferentes da casa. Dizem eles que é algo que se sente, que se sabe.

F

de flamenco. Música que remonta a origens ciganas e mouriscas. A guitarra, a percussão, a dança, tudo se junta num arrepio feroz de expressão de uma cultura. Ritmicamente muito denso, convida à dança e ao movimento. As melodias desenham-se não raramente à volta da escala menor harmónica, o que lhe traz aquele tom de dramatismo e fatalidade. Um dos maiores expoentes, músico que muito admiro: Paco de Lucia.

G

de guitarra. O instrumento que toco, tantas vezes chamado de viola. O termo viola é importado do Brasil onde chamam à guitarra “violão”. Mas a guitarra não é uma viola. A viola (de arco) é um instrumento de orquestra, um pouco maior que o violino, com uma tessitura que se encontra entre este e o violoncelo. A guitarra é o instrumento que todos conhecemos especialmente devido à sua divulgação no mundo popular, com seis cordas, e uma ampla caixa de ressonância. Mas não é só da música popular que se faz a guitarra. Há um reportório extensíssimo dentro da música erudita, que foi sempre muito apreciado por todos os músicos, entre eles, o compositor Schumann.

H

de harpa. Dizem ser um instrumento com um som muito semelhante ao da guitarra. As cordas são dedilhadas, tal como a guitarra, mas às cordas, nas harpas modernas, junta-se uma panfernália de pedais que ao serem pressionados, encurtam cada corda num meio tom ou num tom completo, permitindo assim que a harpa possa passar por todas as tonalidades. Instrumento fascinante, não deixa ninguém indiferente aos seus largos glissandos, que tantas vezes evocam um estado melancólico e sonhador nos ouvintes.

I

de improvisação. Assim se designam os diálogos musicais, a conversa que flui entre os músicos, quando estes tocam em conjunto sem que todas as frases musicais estejam previamente pensadas. É a essência da música, que remontará às formas mais ancestrais do fazer musical: a pergunta resposta, “o give and take”, a música criada e pensada no momento. Hoje em dia volta a ganhar lugar entre alguns compositores contemporâneos eruditos, que designam nas partituras espaços específicos para os músicos improvisarem. Mas nunca perdeu o seu lugar em músicas como o jazz, o blues, e certas correntes da música pop-rock.

J

de Jaqueline du Pré. Jaqueline fala através do violoncelo. Os dois cruzam-se e tornam-se um só. Ficou famosa pela sua interpretação do Concerto de Elgar, que escutei pela primeira vez, e tocado por esta senhora, ainda adolescente. Nunca mais me esqueci da forte impressão que me causou, parecia que a estava a escutar ao vivo, ouvia-se a respiração, o arco a tocar nas cordas. O romantismo mais profundo ali, nas mãos de uma violoncelista tão nova, que morreu prematuramente de cancro. É uma interpretação obrigatória para qualquer pessoa que ame a música.

K

de Koln Comcert: Lembro-me de dizer aos meus alunos “Este concerto é todo improvisado”. Lembro-me do espanto deles, a acompanharem no youtube todos os movimentos da música genial de Keith Jarrett, todos as nuances, todas as respirações. O concerto continua a deixar marcas a cada nova geração que passa e acredito que nunca irá morrer.

L

de Landays: Poemas de mulheres Afegãs, construídos e partilhados quase na clandestinidade. São gritos dirigidos aos homens e à cultura masculina dominante. São poemas ditos, cantados, normalmente ao ritmo do bater de uma mão. São compostos apenas por dois versos, o primeiro normalmente com nove sílabas e o segundo com 13. Falam da guerra, da separação, do amor, do luto. Encontrei-os no livro “A voz secreta das mulheres afegãs: O suicídio e o canto” de Sayd Bahodine Majrouh, editado pela Cavalo de ferro.

M

de metrónomo: O inimigo de todos os músicos. Porque cada um tem o seu tempo, a sua forma particular de sentir a pulsação. Criado a bem do rigor, é no entanto imprescindível para o trabalho de peças com indicações muito precisas quanto ao tempo e também para música de conjunto, qualquer que ela seja.

N

de notação. Durante anos foi vista como uma das coisas mais importantes a aprender na aula de música, mas depressa se percebeu que não poderia vir antes do resto. Do tocar, do cantar, do mexer nos sons. Tal como a escrita e a leitura não surgem antes da fala. E depressa se percebeu também que quem a aprende tem de perceber o seu propósito. Por isso hoje se fala da notação inventada, que surge muitas vezes a partir das próprias composições criadas pelas crianças. Surge por necessidade. Ou para que ninguém se esqueça do que foi composto, ou para a poder mostrar a alguém. E aí, sim, faz todo o sentido. E desta notação inventada, se pode então partir para a tradicional fazendo pontes, estabelecendo relações.

O

de "Orelhudo". Projeto do Serviço Educativo da Casa da Música que se destina a divulgar e a promover a audição e a apreciação musical em Escolas do 1º Ciclo. Tratam-se de 90 segundos de música diários, de todos os estilos e épocas, que vêm acompanhados, não só de informações relevantes quanto à peça escutada, como a algumas de atividades relacionadas com a mesma. Para todos os que querem começar a introduzir música na sua aula, parece-me ideal. E apela-se à criatividade de todos os professores na criação/desenvolvimento de novas atividades! Procurem aqui: http://orelhudo.casadamusica.com/

P

de Paynter. John Paynter. Compositor e Educador Inglês, lutou nas décadas de 60 e 70 por uma Educação Musical em que a criatividade ocupasse um espaço mais amplo nas vivências musicais das crianças. No seu mais famoso livro Sound and Silence (1970) refere-se ao “fazer música”, como uma resposta à vida e ao mundo que nos rodeia. Porque se trata de uma arte, esta resposta é criativa, expressão de sentimentos através de materiais moldáveis pela imaginação das crianças. Paynter desenvolve uma filosofia baseada na enação criativa com materiais musicais, na exploração de técnicas utilizadas por compositores contemporâneos e numa visão do professor como guia e facilitador.

Q

de quadrivium. Nem sempre a música esteve relegada para segundo plano. Muito pelo contrário. Na Grécia antiga e na Idade Média, ela fazia parte do quadrivium, que, juntamente com a aritmética, a geometria e a astronomia, consistia no conjunto de disciplinas obrigatórias no início dos estudos Universitários. Nesta altura, a música era estudada a partir dos seus intervalos, de forma a compreender de teoricamente e a nível prático as relações entre as notas, e de que forma estas evoluem em padrões musicais.

R

de Reijsegerr. Ernst Reijseger, um dos maiores violoncelistas do nosso tempo. Um virtuoso, que teve sempre bastantes problemas com os seus professores, já que olhava para o seu instrumento de forma aberta e criativa. Quis sempre explorar outros sons, outras formas de olhar e tocar o violoncelo. Nos workshops que dá a crianças e jovens leva-os numa viagem em que os conceitos mais básicos ligados à técnica e interpretação de violoncelo são totalmente desconstruídos, e em que a cada um é oferecida a possibilidade de encontrar a sua própria voz na ligação com este instrumento (http://ernstreijseger.com/).

S

de Soundscape, ou paisagem sonora, foi um termo introduzido pelo compositor Murray Schaffer. A Soundscape é o som, ou conjunto de sons que emergem de uma imersão sonora num determinado ambiente, natural ou criado por seres humanos. Em termos educativos é um conceito que convida as crianças e jovens a escutar, arquivar, catalogar todo o mundo sonoro que as rodeia, utilizando depois este mesmo universo sonoro em novos processos criativos, de composição ou improvisação. Em Portugal a Sonoscopia criou uma plataforma dedicada ao armazenamento e catalogação destes sons. Vale a pena visitar: http://www.phonambient.com/
Filipe Lopes, por sua vez criou o Polishphone, um software, mapa sonoro, plataforma criativa, utilizável em qualquer sala de aula que tenha um computador:http://www.filipelopes.net/Software/polisphone.html

T

de tocata e fuga em ré menor. Usada em filmes, videojogos ou como tema base para muito do reportório do rock e do metal, é uma das obras mais emblemáticas de Bach, expoente do período Barroco. Originalmente escrita para órgão, foi alvo de inúmeros arranjos para diversos conjuntos instrumentais. A primeira parte, a tocata, deriva to italiano toccare, tocar; representa uma forma musical para instrumentos de tecla feita para demonstrar o virtuosismo do intérprete. A segunda parte, a fuga, diz respeito a uma técnica de composição muito utilizada no Barroco e na qual Bach era mestre, em que o tema evolui a partir de uma série de repetições que se vão montando como linhas sobrepostas.

U

de underground. Toda a música não comercial, alternativa, que foge às grande marcas e mercados. Liga-se às ideias de criatividade, liberdade de expressão, honestidade e sinceridade.

V

de Vygotsky. Pedagogo Russo, introduzido no mundo Ocidental a partir das traduções feitas dos seus escritos por Jerome Bruner. Percursor da Psicologia Sociocultural cujos conceitos e ideias, apesar de terem sido escritos, maioritariamente, na década de 30, perduram até hoje na investigação e nas práticas educativas. No mundo anglo-saxónio, que domina grande parte da investigação escrita acerca da Educação Musical, é, juntamente com Bruner, autor basilar da recente Cultural Psychology of Music.

W

de Waters, Roger Waters, músico, baixista, e letrista fundador dos Pink Floyd, banda de rock psicadélico até hoje incontornável. The Dark side of the Moon, Wish You Were Here, Animals e The Wall, são alguns dos álbuns que ficam para a posteridade.

X

de Xerazade. Raínha Persa, narradora das mil e uma noites, foi inspiradora de uma série de obras musicais com o mesmo nome, como o poema sinfónico de Rimski-Korsakov, a abertura para orquestra de Ravel ou o ciclo de canções para voz e orquestra, também de Maurice Ravel.

Y

de Youth, Sonic Youth. Banda alternativa, formada em Nova Iorque em 1981. Incorporou uma série de técnicas experimentais e do noise no seu rock duro, muito influenciado pelo punk e pelo hardcore. Influenciou grande parte da minha adolescência e grande parte da minha forma de pensar a música.

Z

de Zorn. Saxofonista, compositor, e improvisador, virou o mundo da música do avesso com o seu estilo free improv. Criou um novo estilo de composição colaborativa baseada na improvisação, uma série de “Peças/jogo” que tocou com músicos como Dereck Baily ou Mike Patton. Criou também aquilo a que apelidou de “música judaica radical”, essencialmente através do grupo Masada. Fundador dos Naked City, onde tocou com alguns dos maiores músicos da cena improv: Bill Frisell, Fred Frith, Joey Baron e Wayne Horvitz.

De A a Z para a Música na Educação... Brendan Rui Hemsworth

Brendan Rui Hemsworth

Músico, percussionista e educador, sempre encarou a música e o seu ensino como duas faces da mesma moeda. Fez o Curso de Percussão na Escola Profissional de Música de Espinho, licenciou-se em Produção e Tecnologias da Música na E.S.M.A.E., e tornou-se Mestre em Ensino de Música pela Universidade de Aveiro.

As suas experiências no ensino passaram pela Escola de Jazz do Porto, pelo Instituto Orff do Porto, e pelo 3º ciclo, onde foi professor das disciplinas de Música e Área de Projecto. Pelo caminho colaborou com o Serviço Educativo da Casa da Música. Atualmente leciona bateria no Curso de Música Silva Monteiro, e Percussão e Classes de Conjunto no curso da Licenciatura em Formação Musical da Escola Superior de Educação do Porto.

Colaborou em projetos ligados à Dança (Ballet Teatro), Teatro (Seiva Trupe / Teatro Nacional D. Maria II), Cinema (Anilupa), Poesia (Sindicato da Poesia). Tocou com Raul Marques e os Amigos da Salsa, O Sexteto de Mário Barreiros, Pedro Abrunhosa e os Bandemónio, Clã, Ornatos Violeta, Stealing Orchestra, Peixe, Manel Cruz e Foge Foge Bandido, entre outros. Produziu o álbum Paluí de Helena Caspurro. No âmbito da música experimental tem colaborado em projetos da Associação Sonoscopia e tocado com HHY & the Macumbas com quem atuou em festivais como o Primavera Sound, Milhões de Festa, Boom Festival, entre outros.

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A

de acústica. A compreensão dos fenómenos do som, seja ela empírica ou estudada, é uma parte importante na formação de um músico. Refiro-me, por exemplo, à forma como percecionamos a sala como uma extensão acústica do instrumento, e de que como essa interacção contribui para determinar o próprio carácter da música.

B

de bateria. Um dos instrumentos que moldou a música do século XX. Apesar de ser, ainda hoje, mais conhecida pela configuração popularizada por Gene Krupa, vejo-a como um instrumento-camaleão, em constante metamorfose, capaz de se adaptar aos variados géneros musicais em que se insere.

C

de composição. Parece-me importante que o ensino estimule os alunos a valorizarem mais as suas capacidades criativas, nomeadamente, no domínio da composição. Nas palavras de Frank Zappa, “a composição é um processo de organização, muito como a arquitectura. Desde que saibamos conceber o nosso próprio processo organizacional, poderemos ser compositores – em qualquer mídia.”

D

de documentação. Documentar experiências de vida, sob, por exemplo, a forma de um portfólio, com recurso ao áudio, ao vídeo, ou à escrita, pode ser uma forma importante de referenciarmos um percurso. Por mais desinteressantes que alguns registos nos possam parecer no momento, o tempo encarrega-se sempre de lhes atribuir a devida importância na definição do nosso rumo.

E

de experimentação. Tal como a investigação científica nos abre novas portas, na música, vejo a experimentação como uma forma de alargar horizontes. A música experimental não tem, necessariamente, que soar bizarra ou que ser efémera. Compreendo, em todo o caso, porque alguns levantam a questão da dimensão emocional subjacente. Talvez, por isso, em muitos contextos, se prefira designar a dita música experimental por “sound art”.

F

de funcional. Ao longo dos tempos, a humanidade sempre fez música com funções sociais bem específicas. Pensar a música de acordo com a função social que pretende servir, pode ser uma forma de trabalhar com os alunos diferentes registos de expressividade musical, fora da habitual lógica do género ou do gosto musical, normalmente ditada por velhos hábitos de escuta.

G

de gong. Um instrumento com imenso potencial, quer pela forma envolvente como permite preencher o espaço sonoro, quer pela riqueza harmónica que traz à música. O trabalho de João Pais Filipe, percussionista e criador de gongs e pratos, é um exemplo de uma procura por formas novas e personalizadas de conceber o instrumento.

H

de hiperinstrumento. O pensar a bateria enquanto instrumento composto por diferentes componentes que, embora fisicamente separados, se integram num todo orgânico, sugere-me que qualquer conjunto de fontes sonoras, coordenadas sobre uma só mente estruturante, possa dar corpo a um instrumento de características únicas. E que podemos projetar esse instrumento tanto em grande escala como numa micro-escala.

I

de interdisciplinaridade. Relaciono este termo com a ideia da música funcional: a música a relacionar-se com qualquer outro domínio. O pensar a música como um centro gravítico de uma filosofia de formação artística que pretenda por a música como motor de toda uma indústria criativa.

J

de Jazz. Apesar das inúmeras ramificações que este grande género musical produziu, e continua a produzir, podemos reconhecer ainda hoje, nas suas linhagens, o tributo aos antepassados, o que é, por si só, sinal de grandeza.

K

de Kotche. Glenn Kotche, além de ser conhecido por tocar com a banda Wilco e com Jim O´Rourke, é também um compositor e intérprete de obras para bateria/multipercussão de grande interesse, destacando em particular os seus Drumkit Quartets, interpretados em colaboração com o grupo de percussão, Só Percussion.

L

de liberdade. Apesar de todas os constrangimentos de viver numa sociedade moderna, de todas as influências e vivências que nos vão moldando sem que nos demos conta, é a liberdade de escolha que define quem somos.

M

de multipista. Gosto de pensar no sistema de gravação multipista e no papel que assume enquanto suporte da criação musical dos nossos dias, como um fenómeno análogo à invenção do contraponto. A diferença é que, mais do que permitir justapor vozes, como o baixo, tenor, soprano...permite justapor eventos ou singularidades musicais. Um pouco como no cinema, razão, aliás, pela qual penso que a invenção da gravação multipista veio aproximar mais a música do cinema.

N

de Noise. O livro de Jacques Attali que repetidamente sinto a necessidade de ler e reler. Um retrato social, económico e cultural dos vários papéis da música no mundo ocidental.

O

de objeto sonoro. Porque um músico deve encarar qualquer objeto pelo seu potencial expressivo, seja ele encontrado numa estante de uma loja de instrumentos ou numa lata do lixo.

P

de play. Curiosa versatilidade semântica da lingua inglesa que transporta para o contexto da música a ideia de brincar. No português, a palavra “tocar” é também ela versátil em termos semânticos, já que quando tocamos um instrumento, mais do que tocar um instrumento, podemos tocar as pessoas que nos ouvem.

Q

de quartas paralelas. Uma forma interessante de harmonizar vozes, em alternativa à harmonia por terceiras e sextas.

R

de rádio. Num mundo cada vez mais governado pelo poder da imagem, a ideia de haver um canal de comunicação que sobreviva unicamente graças ao poder da palavra e da música parece-me incrível. A criação de programas de rádio é também ela uma ferramenta de grande interesse em projetos escolares.

S

de sentido. Uma palavra que me fascina pela sua riqueza de sentidos, passo a aliteração. De resto, são as palavras que nos tornam humanos - uma ponte entre o mundo sensível e o inteligível. Na música, as palavras, por vezes, vivem como mantras, pelo poder mágico da sua ressonância. Em outros casos ainda, podem ser descontextualizdas, fragmentadas e reduzidas a vocábulos esvaídos de sentido.

T

de tempo. A maior parte das vezes pensamos no tempo unicamente na sua dimensão cronológica. Acho fascinante a ideia de explorarmos outras formas de fabricarmos o nosso tempo, que transcendam o cronológico, e a sua lógica “tempo é dinheiro”. Talvez possa ser essa uma das mais nobres missões da música: a de nos ensinar outras formas de habitar o tempo e o espaço.

U

de urbano. O meu habitat natural. Por mais que precise de, regularmente, conectar-me com a natureza, é a selva urbana que habito, com as suas ruas, as suas casas, que molda a música que faço.

V

de voz. O instrumento musical mais perfeito que existe.

W

de Waits de Tom Waits. Um artista que admiro pelo sua poesia, sentido de humor e pela forma como cruza a canção com soluções de instrumentação menos convencional.

X

de xilofone. Um instrumento que continua a ter o seu papel na formação de músicos de todas as idades, por mais que os novos instrumentos possam exercer o seu papel sedutor.

Y

de Yoruba. Povo da África ocidental, de onde grande parte das tradições musicais afro-cubanas emergem.

Z

de Zappa. ZAPPA um dos meus primeiros ídolos musicais, inspirador na forma subversiva e acutilante como questionou paradigmas.

De A a Z para a Música na Educação... por Kiko Pereira

Kiko Pereira

Francisco “Kiko” Pereira é um dos mais reputados cantores de Jazz portugueses com uma carreira de mais de 20 anos tendo lançado e participado em vários álbuns e atuado ao lado dos mais importantes músicos e projetos de Jazz portugueses e estrangeiros nos mais relevantes festivais.

Tem o Mestrado em Interpretação Artística em Jazz e o Mestrado em Ensino da Música pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto (ESMAE). É docente de Canto Jazz na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto e no Conservatório de Música do Porto.

Atualmente está a ultimar o seu mais recente trabalho discográfico com o projeto “Kite” com o pianista Telmo Marques, o contrabaixista José Carlos Barbosa e o baterista João Cunha.

Clique no seguinte link para ler este A a Z:

A

de Armstrong Louis (4 Ago 1901 / 6 Jul 1971). Foi a primeira superestrela do Jazz. Satchmo ou Pops foi o grande inovador e a sua influência tem um alcance que percorre a história do Jazz, tendo definido alguns dos cânones mais institucionalizados, como o formato Tema – Solo – Tema. Uma figura carismática, tanto pela voz inconfundível, como pelo som poderoso da trompete, a música foi o meio para sair da pobreza extrema onde nasceu e se tornar uma das figuras mais queridas e respeitadas do século XX. As suas gravações com os seus Hot Five, e mais tarde com Hot Seven, são lendárias.

Louis Armstrong - West End Blues 1928

B

de Bop ou Bebop.Este foi o nome dado ao movimento musical iniciado em Nova Iorque nos inícios da década de 40 e surge como um distanciamento do swing e das linguagens mais comuns do Jazz da época. O bom carateriza-se por tempos rápidos, estruturas harmónicas complexas e virtuosismo técnico. Os músicos procuravam exceder-se em rapidez e complexidade, estando as composições ao serviço do improviso, com as melodias a servir para lançar o mote. O bop foi o percursor de vários movimentos posteriores como o Cool ou o Hard. Charlie Parker, Dizzie Gillespie, Bud Powell, Max Roach foram alguns dos instrumentistas importantes nesta viagem.

Bud Powell - Anthropology (1962)

C

de Coltrane John (23 Set 1926 / 17 Jul 1967). Assim como Armstrong deu ao Jazz tradicional uma nova sofisticação, Coltrane foi um dos grandes responsáveis por expandir a música numa busca constante que transformou o Jazz. Compositor e instrumentista, foi um inovador a nível estético e um instrumentista de tal ordem influente que ainda hoje, passados 50 anos da sua morte, continua a ser uma das referências maiores do saxofone. Em constante evolução desde os seus primeiros dias como elemento do quinteto de Miles Davis, Coltrane procurou aprofundar cada vez mais a sua linguagem e estilo, tendo levado ao limite as possibilidades do saxofone em improvisos cada vez mais poderosos, complexos e livres.

John Coltrane Live in Germany 1960

D

de Davis, Miles (25 Mai 1926 / 28 Set 91). Miles Davis esteve sempre na linha da frente dos movimentos mais representativos do Jazz ao longo dos seus cerca de 50 anos como instrumentista, compositor e líder de algumas das formações mais celebradas da história. Visionário, procurou inovar e explorar novas e mais ousadas formas de viver a música. Esteve na vanguarda de muitos dos movimentos mais importantes desde o Bop, o Cool, ou a Fusão. Dos vários álbuns que gravou posso referir alguns que ilustram este percurso como “Birth of the Cool” (1957), “Milestones” (1958), “Sketches of Spain” (1960), “ESP” (1965) ou “Bitches Brew” de 1970. Os seus inúmeros projetos e formações foram espaço de desenvolvimento de dezenas de músicos como Herbie Hancock, Tony Williams, Dave Holland, Chick Corea, Keith Jarret, Wayne Shorter, para citar apenas alguns.

Miles Davis Quintet, 1967

E

de Ellington, Duke (29 Mai 1899 / 24 Mai 1974). Duke Ellington foi, e continua a ser, um dos nomes mais importantes da música Americana. As suas orquestras das décadas de 20 e 30 foram exemplo de um novo e mais sofisticado som que ajudou a definir o que seria apelidado de "a era do Swing". Apesar de pianista com créditos firmados, o seu instrumento por excelência foi a Orquestra, compondo a pensar especificamente nos seus integrantes procurando extrair o melhor que tinham de forma a tornar o som total mais coeso e excitante. A obra de Ellington é, pela sua extensão e qualidade, um património musical ímpar que lhe valeu, a título póstumo, um prémio Pulitzer. São dele algumas das composições mais conhecidas do repertório como “Take the A-Train”, “Don’t get around much anymore”, “It don’t mean a thing (if it ain’t got that swing)”, “Sophisticated Lady” ou “In a mellow tone”.

Duke Ellington - Satin Doll

F

de Fitzgerald, Ella (25 Abr 1918 / 15 Jun 96). Ella Fitzgerald, tornou-se pela alegria da sua voz, virtuosismo do seu scat e energia das suas atuações a “First Lady of Song”. A sua dicção quase perfeita, a sua mestria em executar as melodias mais complexas sem mácula e a sua capacidade quase inesgotável de improviso granjearam-lhe o respeito de críticos, entusiastas e músicos. Ella foi um prodígio que vivia para o palco, pois sempre procurou manter a sua vida pessoal longe do público que a idolatrava, evitando entrevistas e exposição mediática. Apesar de ter realizado dezenas de gravações em estúdio, são as suas prestações ao vivo que servem de testemunho ao seu talento como cantora e improvisadora. Alguns exemplos da sua vasta discografia são “Ella in Rome”, “Ella in Berlin”, “Twelve nights in Hollywood” ou “Ella in Budapest”.

ELLA FITZGERALD with Tommy Flanagan Trio at Montreux 1969

G

de Granz, Norman (6 Ago 1918 / 22 Nov 01). Foi um empresário que teve um papel de enorme importância ao tornar o jazz num fenómeno Americano e mais tarde mundial. Fundou várias editoras (entre as quais a Verve), foi empresário das maiores estrelas do Jazz (como Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, Count Basie ou Anita O’Day) e foi um campeão na luta contra a discriminação de músicos negros e contra a segregação de públicos. Foi igualmente o mentor dos concertos itinerantes “Jazz at the Philarmonic”, responsáveis por levar em tournée vários dos artistas e projetos mais representativos do Jazz, permitindo um contacto mais próximo do público com as suas vedetas.

Norman Granz Jazz at the Philharmonic (1956)

H

de Holiday, Billie (7 Abr 1915 / 17 Jul 1959). Também chamada Lady Day, epiteto atribuído pelo saxofonista Lester Young, nasceu Elanora Fagen. Suportou várias agruras e dificuldades e tornou-se uma cantora que revolucionou o meio jazzístico com as suas interpretações profundas e tocantes. O seu fraseado relaxado, a ligação com os poemas que interpretava de forma apaixonada e o seu estilo (reflexo de uma existência marcada pelo abuso, dependência e descriminação) tornaram-na num dos maiores ícones do Jazz. Frank Sinatra confessou ter sido Lady Day uma das influências mais profundas na sua carreira. Para ouvir temas como “Billie’s Blues”, “Strange Fruit”, Trav’lin Light”, “God Bless the Child” e “Fine and Mellow” (ver Jam Session para ouvir e ver Billie em acção).

I

de Improvisação. A essência do Jazz, a improvisação é a razão de ser desta música em que cada interpretação busca algo especial, inédito, original, criativo, profundo, intenso e único. Geralmente o improvisador parte de uma base, ou tema, sobre o qual irá dar largas à sua sensibilidade criativa. Esta busca revela a singularidade de cada músico e permite uma infinidade de interpretações e visões do mesmo tema.

Improvisational jazz performance: Peter Epstein at TEDxUniversityofNevada

J

de Jam Session. Uma das razões pela qual o Jazz e as suas várias linguagens se desenvolveram tanto e tão depressa reside na Jam Session. São ajuntamentos, mais ou menos informais, de músicos de várias proveniências para tocar e improvisar sobre temas do repertório comum. As Jams de clubes nova-iorquinos como o Minton’s tornaram-se ponto de passagem obrigatória para jovens em busca de reconhecimento. Muitos eram convidados (de formas mais ou menos “amigáveis”) a sair de palco por não estarem à altura dos “requisitos mínimos”. Estas contrariedades tinham porém, o condão de levar os jovens a estudar mais afincadamente para voltarem aptos. Essa curva intensa de aprendizagem foi responsável pelo salto enorme, em termos qualitativos, que se notou a partir da década de 40. São vários os relatos da importância da Jam Session no desenvolvimento de músicos como Miles Davis, Charles Mingus, Ella Fitzgerald e outros. Ainda hoje essa tradição é mantida um pouco por todo o mundo e permite que músicos de proveniências, culturas e gerações distintas sejam capazes de comunicar e criar algo de único e irrepetível. Aqui fica um registo em ambiente de Jam com Billie Holiday, Ben Webster, tenor saxophone, Lester Young - tenor saxophone, Vic Dickenson - trombone, Gerry Mulligan - baritone saxophone, Coleman Hawkins - tenor saxophone, Roy Eldridge - trumpet, Doc Cheatham - trumpet, Danny Barker - guitar, Milt Hinton - double bass, Mal Waldron - piano and Osie Johnson – drums.

Fine and mellow (1957)

K

de "Kind of Blue”. O disco de Miles Davis é um dos mais acarinhados da história sendo, alegadamente, o mais vendido de sempre. Gravado em 1959 é constituído por um conjunto de composições baseados em modos e num ambiente que se afastava da linguagem do bop. A formação contou com os músicos Cannonball Adderley (sax alto), John Coltrane (sax tenor), Miles Davis (trompete), Bill Evans e Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria). O resultado foi uma obra única e um conjunto de improvisações inspiradas.

Miles Davis - Kind of Blue - 1959

L

de Latin. Quando se fala de Jazz e as suas origens geralmente considera-se como o resultado da mistura dos ritmos tribais africanos e a harmonia e tradição musical europeia. Mas o Jazz não seria a expressão musical que conhecemos sem o contributo dos ritmos das caraíbas e do sul da América. Nos anos 30 e 40 com a chegada de vários músicos latino-americanos a Nova Iorque, nomeadamente de Cuba, os estilos rapidamente se misturaram. Músicos como Mongo Santamaria, Tito Puente, Chucho Valdés ou Paquito D’Rivera deram um contributo à propagação desta influência. A descoberta do Brasil pelo Jazz com o aparecimento da Bossa Nova no panorama musical teve um impacto importante. As composições de António Carlos Jobim e a presença de músicos como João e Astrud Gilberto, Airto Moreira, Flora Purim ou Sérgio Mendes em Nova Iorque, foram uma influência decisiva para que estas tendências e expressões se tornassem parte integrante da linguagem e do repertório. Como exemplo desta miscigenação apresento a United Nation Orchestra de Dizzie Gillespie e a eterna “garota” do jazz na versão de Astrud Gilberto e Stan Getz.

Dizzy Gillespie and The United Nation Orchestra

Astrud Gilberto and Stan Getz ◊ The Girl From Ipanema

M

de Monk, Thelonius (10 Out 1917/ 17 Fev 1982). Apesar de ser considerado uma figura fundamental no desenvolvimento estético do Jazz, Monk foi algo incompreendido pelos seus contemporâneos devido à sua música e personalidade peculiar. Foi preciso uma década, de uma existência mais ou menos obscura, para que a sua genialidade fosse reconhecida. Numa época em que a fama estava reservada para os instrumentistas, Monk foi-o pelas suas composições com melodias arrojadas e ritmicamente exigentes para além da utilização de progressões harmónicas complexas e inesperadas. Muitas das suas composições são clássicos como “Round Midnight”, “Straight No Chaser”, “Misterioso” ou “In Walked Bud”. Apesar de lhe serem creditadas cerca de 70 composições é o segundo compositor mais gravado da história superado apenas por Duke Ellington (que compôs mais de 1000). A (re)descobrir no centenário do seu nascimento.

Thelonious Monk - Live At Berliner Jazztage (1969)

N

de NewOrleans. Esta é a cidade onde todo o movimento, que mais tarde viria a ser conhecido por Jazz, teve o seu impulso inicial e mais intenso. Local de coexistência mais ou menos pacífica entre culturas africanas e europeias foi igualmente uma rota de acesso ao norte de uma América em desenvolvimento profundo. Foi de lá que a tradição se misturou com a modernidade e se iniciou a diáspora do Blues, do Boogie Woogie, do Dixie e de outras manifestações, que seriam mais tarde cunhadas de New Orleans Jazz. Ainda hoje se vive e respira as raízes do Jazz na Bourbon Street ou na Basin Street. Como ilustração, deixo a primeira gravação conhecida de Jazz (na altura de chamava Jass) e “Do you know what it means to Miss New Orleans” com Billie Holiday e Louis Armstrong.

Original Dixieland Jazz Band "Dixie Jass Band One Step" 1917

Billie Holiday - Do You Know What It Means To Miss New Orleans

O

de Orquestras. De Count Basie a Jimmy Lunceford, de Duke Ellington a Benny Goodman, de Chick Webb a Fletcher Henderson, as Orquestras de Jazz, ou Big Bands, deram um contributo muito importante para a divulgação do Jazz pelo país pelas tournées que realizaram um pouco por toda a América, e mais tarde pela Europa, mas também pela difusão das suas criações pela rádio. Conhecida pela época do swing (década de 30 e início de 40) as orquestras não só levaram a música ao mundo, como foram escola para muitos jovens músicos que viriam a tornar-se artistas a nível global como Frank Sinatra (na Orq. de Tommy Dorsey), Ella Fitzgerald (na de Chick Webb) ou Dizzie Gillespie, Dexter Gordon, Miles Davis, Sarah Vaughan que foram integrantes da Big Band de Billy Eckstine. Como ilustração, incluo um link da Orquestra de Jazz de Matosinhos que tem sido um dos projetos mais importantes na divulgação do Jazz e compositores nacionais pelo mundo.

Turns - OJM + Kurt Rosenwinkel, Aliados, Porto, 2013

P

de Parker, Charlie (29 Ago 20 / 12 Mar 55). Conhecido igualmente por Yardbird, ou apenas Bird, Parker salienta-se no Jazz pelo virtuosismo, energia e inovação. A sua aparição nas noites de Nova Iorque foi uma revolução que deslumbrou público e músicos. Viveu a vida como viveu a música, de forma rápida, cheia e intensa, tendo encontrado a morte aos 34 anos (o relatório do médico legista indicou uma idade aparente de mais de 60). Apesar de fugaz, a sua carreira teve um impacto tão profundo no Jazz que ainda hoje é uma referência incontornável no seu estudo para gerações de apreciadores das suas inúmeras gravações. Algumas das suas composições mais conhecidas são “Donna Lee”, “Confirmation”, “Ornithology”, “Scrapple from the apple” e “Yardbird Suite”. Em 1988 Clint Eastwood realizou o filme “Bird” que retrata a vida e música deste artista genial.

Charlie Parker and Dizzy Gillespie - Hot house

Clint Eastwood "Bird" Charlie Parker Story - Trailer

Q

de Quintette du Hot Club de France. Formado em 1934 por Luis Viola, Joseph Reinhardt, Roger Chaput, Stéphane Grapelli e Django Reinhardt, foi um dos primeiros exemplos do efeito do Jazz no Mundo, e consequentemente, do Mundo no Jazz. A sonoridade resultante da apropriação de Django Reinhardt dos sons vindos da América aliada à sua técnica peculiar e forte ligação à cultura de onde era originário tornou-se um estilo a que se chamou Jazz Manouche. A realidade do Jazz reside na sua capacidade metamórfica, em constante fusão com linguagens musicais e culturais dos músicos que o interpretam criando sempre novas sonoridades. Podemos sentir esta miscigenação musical por todo o mundo onde existem comunidades ligadas ao jazz.

Django Reinhardt and Stephane Grappelli - The Ultimate Collection

R

de Riddle, Nelson (1 Jun 21 / 6 Out 85). A presença de Nelson Riddle nesta listagem serve de homenagem a todos os grandes profissionais que fizeram, ensaiaram e produziram alguns dos arranjos mais excitantes da história. O seu trabalho com Ella Fitzgerald e Frank Sinatra são um testemunho à sua capacidade de criar ambientes propícios à magia dos solistas. Outros arranjadores cujo trabalho se aconselha a descobrir são Neil Hefti, Billy Strayhorn, Gil Evans, Bob Brookmeyer, Sammy Nestico, Herny Mancini, Quincy Jones, Vince Mendonza, Don Costa, Gordon Jenkins, entre tantos outros.

Frank Sinatra and Nelson Riddle Orchestra playing Witchcrat

S

de Scat. Este é o nome que se dá ao conjunto de vocábulos e sílabas utilizadas por vocalistas em improvisos vocais. Reza a lenda que foi criada aquando de uma gravação de Louis Armstrong em que este teve que improvisar algo por a folha com a letra ter caído. Na verdade, o Scat era prática corrente em New Orleans. Como exemplos de artistas que foram prodigiosos praticantes do Scat podemos referir Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Betty Carter, Anita O’Day, Mark Murphy, Kurt Elling, entre muitos outros.

Sarah Vaughan - Scat Blues - 1969

T

de transcrição. O processo em que se memoriza (ou se escreve em notação convencional) um excerto ou peça de música improvisada. Este é um dos processos mais utilizados na aprendizagem/ensino do Jazz. Ao transcrever um solo o aluno tem a possibilidade de entender e replicar o processo criativo de um determinado instrumentista ou cantor. Funciona quase como uma aula privada com os maiores mestres do Jazz pois existem milhões de horas de gravações de performances excecionais à espera de transcrição.

Transcrição do solo de Sonny Rollins no tema "Almost Like Being in Love"

U

de US3. São uma banda de rap londrina que em 1992 lançaram o disco “Hand on the torch”, constituído exclusivamente por samples (excertos de gravações utilizados para criação de novas músicas) de temas de Jazz do catálogo da Blue Note. O cruzamento dos ritmos e tendências urbanas com o Jazz foi desde sempre cultivado, embora tenha esmorecido com o passar dos anos. Foi recuperado por novas gerações que descobriram os clássicos e reconheceram o imenso manancial de recursos que continham. Esta reutilização de matéria musical foi um grande um incentivo à reedição dos catálogos clássicos das editoras. Como exemplo, apresento o tema Cantaloop (Flip Fantasia) baseado no original de Herbie Hancock “Cantaloupe Island”.

US3 - Cantaloop (Flip Fantasia)

Herbie Hancock - Cantaloupe Island

V

de Vocalease. Esta é a técnica consiste na adaptação de letras a solos anteriormente transcritos. Alguns dos artistas que utilizaram este recurso foram Eddie Jefferson (“Moody’s mood for love” baseado num solo de saxofone de James Moody no tema “I’m in the mood for love”), Kurt Elling (ao escrever um poema magnifico para um solo de Charlie Haden do clássico “Moonlight Serenade” de Glen Miller) e Jon Hendricks, porventura o nome maior desta arte também apelidado como o “James Joyce do Jive”. No exemplo apresenta-se uma gravação do trio Lambert, Hendricks e Ross a interpretarem o tema Four de Miles Davis e Kurt Elling com um arranjo magistral do tema “Easy Livin’” e uma versão vocalease do tema de John Coltrane “Resolution”.

Lambert, Hendricks and Ross - Four LIVE 1961

Kurt Elling - Easy Living / Resolution

W

de West Coast Jazz. Foi o termo utilizado para denominar o Jazz que se ouvia na costa oeste dos Estados Unidos, com predominância na área de San Francisco e Los Angeles. A música, menos frenética que o bop, era mais calma e fluída com predominância para temas com arranjos mais complexos. O movimento West Coast deu visibilidade ao Jazz que se fazia fora do centro nevrálgico em que Nova Iorque se tinha tornado. Entre alguns dos nomes mais representativos do som da costa oeste temos Chet Baker, Gerry Mulligan, Stan Getz, Stan Kenton, Paul Desmond e Dave Brubeck.

Stan Kenton and his Orchestra - Crazy Rhythm

The Gerry Mulligan Tentet - Westwood Walk

X

de Xanadu Records. Esta editora discográfica especializou-se na gravação e divulgação de Jazz e editou discos de artistas consagrados como Bud Powell, Art Pepper, Jimmy Heath entre outros. A importância das editoras como a Blue Note, Verve, Capitol, Columbia, Impulse, Prestige ou Savoy é inestimável ao registarem para a posteridade os maiores intérpretes do Jazz em algumas das suas mais inspiradas prestações. E qual a importância da Xanadu para ser destacada nesta listagem? É o X que me faltava para completar a lista ☺.

Xanadu Master Edition Series Documentary

Y

de Young Lions. Foi o termo pelo que ficou conhecida uma geração de músicos que, a partir da década de 80, procurou fazer música em linha com os conceitos estéticos do bop e hard bop. Este movimento também apelidado de Neo-bop surge como contraponto aos sons mais elétricos do Jazz de Fusão e foi responsável por um regresso às origens, a um som e linguagem mais ligado à tradição do blues, swing e ao som acústico. Wynton Marsalis, Brian Blade, Joshua Redman, Joe Lovano, Roy Hargrove ou Terence Blanchard foram alguns dos músicos que empreenderam esta viagem de regresso a uma música de pendor revivalista e melancólica, mas igualmente virada para o futuro, em busca de novos caminhos.

Wynton Marsalis – Jazz em Marciac 2009

Roy Hargrove Quintet - Strasbourg Saint Denis

Z

de Zorn, John (12 Set 53). Incluo o saxofonista John Zorn para completar o ciclo com o regresso a Louis Armstrong. Zorn tem coexistido dentro do Jazz e outras linguagens musicais com o mesmo entusiasmo e espirito criativo que poderíamos encontrar em Armstrong na sua época. O futuro do Jazz está intimamente ligado à possibilidade de se reinventar e se tornar moderno, imprevisível e global, sem ter necessidade de se distanciar ou virar a cara à tradição. O jazz como manifestação artística tem espaço para várias tendências, estéticas e orientações e cabe ao público encontrar a música para si. Cabe aos pedagogos orientar os alunos para este estado de espirito aberto, sem preconceito e honestidade para ouvir e refletir. Viva a música!

John Zorn - Book of Angels - Marciac 2012

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