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Editorial da APEM Newsletter - Maio

Ainda as avaliações e as provas de aferição da expressão musical no 2º ano

Uma coisa é certa: as provas de aferição vieram colocar as áreas das expressões artísticas na agenda de muitos professores.
Como já tinha escrito no mês passado e também aqui consideramos que esta medida política - o alargamento das provas de aferição às áreas artísticas - veio dar o sinal a professores e à sociedade em geral, que estas áreas do currículo existem e são também importantes para o desenvolvimento global dos alunos. Não podemos colocar de fora esse princípio e a valorização das atividades expressivas através da aferição, é um facto.

Acontece que estas provas, agora públicas e aplicadas, exigiam professores aplicadores e professores classificadores com tarefas bem definidas.
O que é que aconteceu? Os Diretores escolheram e nomearam como bem (ou não) entenderam os professores para classificarem as provas nas turmas do 2º ano do seu Agrupamento. E tivemos várias indicações sobre essa nomeação. Houve casos em que foram nomeados professores de música, outros casos professores do 1º ciclo com ou sem formação musical, e ainda noutros casos a dupla de classificadores foi constituída por um professor de música e outro professor do 1º ciclo. Houve ainda casos em que os professores de música do Agrupamento não tiveram qualquer tipo de intervenção.

Relativamente à aplicação das provas, as realidades também foram várias, ou seja, houve casos em que os professores das turmas do 2º ano tiveram conhecimento antecipado das mesmas, outros que apenas as conheceram no momento da sua aplicação. Também houve casos em que os professores titulares, no momento das provas, apoiaram os seus alunos ativamente, por exemplo, cantando com eles, e noutros casos em que o professor apenas estava de corpo presente. Outros houve em que foram os próprios professores classificadores que aplicaram as provas sem qualquer intervenção do professor titular da turma. Ainda tivemos conhecimento de casos em que as crianças, individualmente, cantaram com o suporte de áudio na versão com voz de adulto e não só o instrumental.
Servem estas considerações para relevar a diversidade de condições em que estas provas foram aplicadas, colocando em causa a equidade da aferição e consequentemente a fiabilidade dos resultados.

Não falando das questões musicais propriamente ditas, que não podem deixar de merecer uma profunda reflexão, outros aspetos tão importantes quanto este da equidade, foram os critérios de avaliação e os descritores de desempenho para cada uma das tarefas e cujo registo se fez através de observação direta dos alunos. As tarefas da prova podiam ser realizadas individualmente ou em pequenos grupos sendo no entanto a avaliação sempre individual. Na expressão musical, a prova de aferição teve duas tarefas distintas: cantar uma canção e movimentar-se a partir da audição de uma música. Para serem classificados, os alunos cantaram individualmente e no caso do movimento, realizaram a tarefa em grupos de 3 ou 4.
Para cada uma destas duas atividades os classificadores tiveram que registar a sua apreciação numa tabela com dois parâmetros de observação e um total de oito descritores de desempenho.

Classificar desempenhos individuais, em observação direta, perante uma tabela de oito descritores organizados em dois parâmetros, não é tarefa fácil. Dada a diversidade da formação dos classificadores, ou seja, professores com e sem formação musical que têm que perceber se as crianças cantam uma melodia igual/aproximada ou diferente à da canção que ouviram, ou se fazem as variações de andamento e de intensidade respeitando ou não as indicações dadas, ou ainda se se movimentam com sentido rítmico (de acordo com o andamento) e expressividade (segmentos corporais com fluidez ou sem ou parcialmente), o que podemos esperar das conclusões desta avaliação?

De referir ainda que mesmo depois de uma atividade de descontração e preparação para a prova, os alunos foram expostos individualmente perante a turma, professor e classificadores. Ora por mais descontraído que fosse o ambiente de realização das provas, cantar sozinho e dançar em grupos de 3 ou 4 colegas perante professores que vão classificar o seu desempenho, que informação relevante daqui extraímos e que benefícios para o desenvolvimento da expressão musical dos alunos podemos evidenciar?

Neste propósito, recuperamos a conceção de Música na educação como linguagem e conhecimento, capaz de criar muitas, diversas e intrincadas redes de significado. Como já temos vindo a referir em diversos lugares, a música é uma prática social comunicativa e expressiva. É a partir do ouvir, através da produção sonora em conjunto, a cantar, a tocar, a compor, a escutar, a falar, a olhar, que as crianças vão construindo significados, partilhando e enriquecendo os seus mundos pessoais, reais, imaginários, sociais e culturais. E é precisamente na interação com os outros a criar e a fazer música, pela natureza dessa atividade e desse conhecimento singular, que as crianças desenvolvem competências estéticas, sociais e cognitivas que lhes permite agir melhor num mundo cada vez mais imprevisível e complexo.

Por isso, queremos valorizar e tornar uma realidade as atividades artísticas e musicais no currículo dos primeiros anos de escolaridade com medidas políticas diretas e intencionais que criem condições a essa existência. No próximo ano letivo já houve a indicação da recuperação das 5 horas para as expressões no 1º ciclo. Falta, “no mínimo”: formação de professores, condições para a coadjuvação das áreas artísticas, horários de professores especialistas no 1º ciclo e mais divulgação das diversas boas práticas artísticas das escolas.
Terão sido as provas de aferição na áreas das expressões a porta para esse caminho?

Manuela Encarnação

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