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APEMNewsletter - Fevereiro de 2018
Editorial da APEMNewsletter - fevereiro - 2018
A importância dos espaços: a música na sala de aula ou a sala de aula de música
Nunca devemos subestimar os espaços onde estamos e muito menos a influência que a conceção dos espaços físicos de aprendizagem mais usados, como são as salas de aulas das nossas escolas, possam ter.
As paredes falam e dizem aos visitantes e a nós próprios muito sobre a cultura da nossa escola, o que ensinamos, em que é que acreditamos e o que valorizamos.
Envolver os alunos nas decisões relativas aos espaços da escola, tanto espaços comuns como os espaços das salas de aula propriamente ditas, tem uma mais valia enorme em múltiplas vertentes formativas.
As reflexões individuais dos alunos e as discussões em sala de aula sobre este assunto contribuem para uma sala muito menos desordenada e provavelmente mais bonita, um ambiente mais pacífico tanto com a publicação de informações que os alunos passaram a aceder diariamente para referência, leitura e escrita, como com a própria organização dos objetos, mesas e cadeiras da sala.
Talvez o mais interessante para os alunos e professores, seja a sala de aula como pertença de todos e não como espaço de uma entidade desconhecida, de outros, ou apenas do professor. O envolvimento de todos na organização do espaço em que trabalhamos coletivamente não é uma perda de tempo, é uma aprendizagem riquíssima, que vai influenciar a nossa maneira de estar nesse espaço e, nesse sentido, a nossa responsabilidade e atitudes com os outros. É um exercício da cidadania.
Como professores de música que espaço gostaríamos de ter? Ou ainda, que ambientes de aprendizagem gostaríamos de criar com o espaço que temos disponível?
Tanto uma pergunta como outra implicam uma autorreflexão sobre que professor de música somos e o que queremos fazer com a música e os nossos alunos e, a montante destas questões, interrogarmo-nos sobre que tipo de professor de música deveríamos ser para fazer uma sala de aula de música do século XXI ganhar vida?
No 1º ciclo, os alunos têm a sua sala de referência. Aqui, definir um espaço (um canto, uma parede, um armário, ...) especificamente para as artes (música, plástica, dramática, dança), passa a interpelar-nos para esses mundos tão singulares da educação artística e eles tornam-se visíveis no dia a dia.
Nos ciclos de escolaridade seguintes, muitas vezes, mesmo havendo uma sala específica para a música, esta é partilhada por outros. Para o espaço não perder essas características, é necessário o envolvimento e a responsabilização de todos os que a utilizam.
A sala de aula de música do século XXI deve poder adquirir múltiplas formas e ser ela própria fisicamente flexível para se poder adaptar às atividades que se organizam e para que a música exista nas dimensões da experimentação e criação, da interpretação e comunicação e da apropriação e reflexão.
Nos nossos dias, as principais formas pelas quais as pessoas e os jovens em particular experimentam e vivenciam música é ou através da música gravada ou em concertos ao vivo. E esta realidade e o que ela implica não pode ser indiferente aos professores de música, às escolas e ao próprio sistema de ensino.
Assim, considerar que, pelo menos, metade do tempo usado na educação musical do século XXI deveria servir para dar oportunidade aos alunos de aprenderem a fazer a sua própria música, dando ênfase à gravação e à partilha, não deveria estar no centro da nossa agenda curricular?
E neste processo criativo, é essencial que os professores de música estejam preparados para ajudar os alunos a explorar, desenvolver e concretizar as suas ideias musicais, a sua individualidade.
Manuela Encarnação
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