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APEMNewsletter - Março de 2018
Editorial da APEMNewsletter - março - 2018
Interdisciplinaridade: projetos e desafios
No passado dia 3 de março realizou-se o 1º Encontro da Rede Interdisciplinar que as associações de professores de matemática (APM), português (APP), educação visual e tecnológica (APEVT) e música (APEM) organizaram com o título Interdisciplinaridade: projetos e desafios.
A criação de uma rede interdisciplinar de associações profissionais constitui um passo importante para o aprofundamento da reflexão sobre as questões interdisciplinares tanto ao nível dos processos de aprendizagem como das próprias metodologias. E ao surgir num contexto de associações de áreas do conhecimento, relembrámos as palavras de Olga Pombo (2004)1: “só há interdisciplinaridade se somos capazes de partilhar o nosso pequeno domínio do saber, se temos a coragem necessária para abandonar o conforto da nossa linguagem técnica e para nos aventurarmos num domínio que é de todos e de que ninguém é proprietário exclusivo”.
E foi o que tentámos fazer ao preparar este Encontro. Sentámo-nos à volta da mesma mesa, falámos das nossas áreas e ouvimos sobre as outras áreas. Questionámos uma série de conceitos e preconceitos, refletimos sobre práticas mais recorrentes de trabalho colaborativo nas escolas e interrogámo-nos sobre o para quê da interdisciplinaridade.
Todos sabemos que a questão da interdisciplinaridade não é nova nos discursos educativos e é, até, cíclica. Assim como sabemos que não existe uma única definição do que é a interdisciplinaridade e que à volta deste conceito gravitam outros, como a multidisciplinaridade e a transdisciplinaridade. Numa reflexão epistemológica sobre estes conceitos, Olga Pombo sublinha a prevalência da palavra “disciplina” em todos estes termos com os prefixos multi, inter e trans. Apesar do conceito de disciplina poder ter também vários sentidos, vamos entendê-lo e assumi-lo, neste contexto, como ramo do saber e componente curricular.
Relativamente aos prefixos, também acompanhamos a proposta da autora que faz uma correspondência destes conceitos com os termos conjunto (pôr em conjunto, alguma coordenação, paralelismo de pontos de vista), coordenação (combinação, convergência, complementaridade) e fusão (unificação, perspetiva holista), ou seja, na multidisciplinaridade encontramos paralelismo e coordenação entre disciplinas, na interdisciplinaridade sobressai a convergência e a combinação disciplinar e na transdisciplinaridade a unificação/holismo como uma fusão disciplinar.
Esta clarificação e perspetiva dos vários conceitos em causa permitiu-nos situar as diversas sensibilidades das áreas do conhecimento com que trabalhámos, abrindo caminhos para uma convergência de pontos de vista disciplinares. Estávamos a caminho da interdisciplinaridade.
E se este era o caminho que para nós fazia sentido, então partilhar e alargar a reflexão e criar um momento de passar ao como fazer a interdisciplinaridade, era o que se impunha. E chegámos à conclusão que poderia ser de diversas formas. O trabalho notável de Leonard Bernstein sobre o conceito de Artful dá-nos uma perspetiva muito interessante: o conceito de aprendizagem Artful consiste na ideia de que as artes podem reforçar a aprendizagem e podem ser incorporadas em todas as disciplinas académicas. O programa Artful atualmente é organizado em unidades de estudo que assentam em quatro elementos principais: experienciar, questionar, criar e refletir. A visão de Bernstein era usar a música e as outras artes visuais e artísticas como um meio de incutir nos alunos o gosto pela aprendizagem ao longo da vida. A aprendizagem artística incorpora as artes dentro do processo de aprendizagem, através de um modelo interdisciplinar cuidadosamente elaborado, baseado em conceitos, que provou aumentar a compreensão dos estudantes, além de melhorar o seu desempenho académico.2
Outra perspetiva que considerámos foi o trabalho de projeto partindo de um problema/dilema e a resolução desse problema. Ficou assim decidido que este 1º Encontro da Rede Interdisciplinar se organizaria em torno de workshops em que os participantes se juntavam por grupos, criados a partir de uma diversidade de áreas profissionais, ou seja, professores de várias áreas, e seriam “sorteados” pelos grupos três formas de abordar a interdisciplinaridade: ou a partir de um problema real que se poderia ler num jornal, ou a partir de um jogo ou a partir de um conceito específico.
Surgiram no final do Encontro, partilhadas pelos porta vozes dos grupos, ideias ótimas e surpreendentes de interdisciplinaridade, tendo em conta os contextos de cada um, o que se pretendia que os alunos aprendessem e como se operacionalizava esse trabalho.
Começámos com esta iniciativa um caminho que queremos continuar enquanto associação, e enquanto membros de uma Rede Interdisciplinar que pode e deve ser alargada e experimentada nas suas mais diversas formas de combinação disciplinar, queremos aprofundar os nossos conhecimentos para melhorar as nossas práticas e as aprendizagens dos nossos alunos, a todos os níveis.
1 http://cfcul.fc.ul.pt/biblioteca/online/pdf/olgapombo/interdisciplinaridadeintegracao.pdf
1 https://www.researchgate.net/publication/268031024_Epistemologia_da_Interdisciplinaridade_1
1 http://webpages.fc.ul.pt/~ommartins/mathesis/vocabulario-interd.pdf
2 https://leonardbernstein.com/artful-learning
Manuela Encarnação
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