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APEMNewsletter - Outubro de 2018
Editorial da APEMNewsletter - Outubro - 2018
O que as palavras dizem à música
No mês em que realizamos o XII Encontro Nacional da APEM não poderíamos deixar de dedicar grande parte desta Newsletter à divulgação do que se vai passar no dia 27 de outubro e, neste editorial, expor a razão pela qual optámos pelo tema em que se foca o Encontro, as palavras e a música.
Importantes pensadores, investigadores e pedagogos da música, entre os quais Kodály (1882-1967), Orff (1895-1982), Suzuki (1898-1998) e Gordon (1927-2015) reforçaram o papel fundamental do cantar e do uso da voz nas aprendizagens musicais.
Se nos permitirmos uma síntese e correndo o risco de estarmos a simplificar demasiado, para Kodály, é a cantar que o aluno se expressa musicalmente e desenvolve a habilidade de ler e compor música. No Orff-Schulwerk, a educação musical elementar ou básica parte do entendimento de que linguagem, música e movimento estão, na sua origem, interligados pelo fenómeno rítmico. Para Suzuki, o paralelismo entre a aprendizagem da língua materna e a Educação do talento, como designa a sua proposta de educação musical, é o princípio da sua filosofia educacional. Por seu turno, Gordon assume que a música não é uma linguagem no sentido estrito do termo, uma vez que não tem uma gramática, mas considera que tem uma sintaxe porque existe um conjunto de regras e princípios para os sons. O significado dado à música é feito através da sintaxe.
Se, por um lado, a questão da música enquanto linguagem pode ser polémica, a aprendizagem da língua materna e a aprendizagem da música têm, sem dúvida, muito em comum, com os sons e as palavras que vamos aprendendo desde que nascemos a ganhar significado nos diversos contextos em que ocorrem. Neste sentido, Música e Palavras são linguagens que se tocam. Os sons transformam-se em melodias e harmonias, as palavras em frases e ambos expressam ideias. Com os sons, como com as palavras, criam-se ritmos. Esta ideia, da conjugação do poder da música e das palavras, que se tornam canção, foi muito bem descrito por uma das intervenientes convidadas para partilharem o seu pensamento no Encontro que se aproxima, Margarida Fonseca Santos. No A a Z, que publicámos na última newsletter, na letra V, de Viagem cultural, escrevia: “Falemos da música fora das academias e conservatórios. Deixemos de parte o solfejo e viajemos no mundo das canções. Ouvir, escrever letras, compor canções é uma viagem cultural. Na nossa missão de ter mais pessoas a gostar (e consumir) música, trabalhar canções leva-nos a descobrir o mundo dos outros, o nosso mundo interior, a intervenção e o desabafo, a alegria e a perplexidade (a afinação, o prazer). Se só pudéssemos fazer uma coisa, eu diria: escrevam-se canções!”
Todas estas questões e as suas implicações na aprendizagem musical vão ser pensadas, faladas e trabalhadas de forma muito prática no nosso XII Encontro Nacional da APEM.
Encontramo-nos lá!
Manuela Encarnação
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