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Editorial - APEMNewsletter - maio de 2019
Residências Artísticas em contexto escolar: a educação e a cultura
Depois de uma experiência piloto na Escola Básica de Caxinas em 20171, iniciou-se no ano letivo passado, o projeto de Residências Artísticas – São Carlos nas escolas (R-A) e que teve, este ano, o seu 2º ano de desenvolvimento num número mais alargado de escolas e parceiros, segundo os dados do Ministério da Educação e da OPART.2
O programa de R-A integrado no Plano Nacional das Artes do Ministério da Cultura e no Programa de Educação Estética e Artística do Ministério da Educação, “destina-se a crianças do primeiro ciclo do ensino básico e tem por objetivo integrar as práticas artísticas no dia-a-dia dos alunos”.3
O que são estas R-A? Não estando propriamente definido o conceito em documentos oficiais, assumamos as R-A como ambientes de formação, criação e difusão. De acordo com o que está divulgado, as R-A acontecem durante uma determinada semana do ano letivo nas escolas, onde um músico incrementa com alunos de uma turma do 1º ciclo, atividades artísticas “no sentido de desenvolver o conhecimento musical, bem como promover a aprendizagem e experimentação do processo de criação artística no domínio instrumental e coral, (...) culminando com a apresentação de um espetáculo à comunidade educativa local"1.
Dos testemunhos em vídeo, de notícias e de comunicados que tivemos oportunidade de ver e ler sobre as R-A, para além de um artigo da autoria de um músico, envolvido nas R-A, publicado na Revista Portuguesa de Educação Musical n. 144/2018, podemos deduzir que o impacto da semana da residência artística nos alunos, professores e músico residente foi muito positivo. De uma forma geral, os alunos tiveram experiências musicais que nunca tinham tido. Durante o período da intervenção, toda a organização do seu dia se alterou e a possibilidade de experienciarem individualmente e coletivamente a criação musical para um fim concreto, uma apresentação pública, terá sido inesquecível e marcante. É ponto assente que o impacto das experiências artísticas durante os primeiros anos de escolaridade e da educação/formação das crianças pode contribuir tanto para o desenvolvimento da criatividade pessoal como para o desenvolvimento da capacidade de apreciação e avaliação das composições de outros, como refere Pratt, G. (1995) citado por Koutsoupidou, T.; Hargreaves, D. (2009). Identificar e desenvolver diferentes formas e discursos de criatividades diversas é um imperativo para assegurar futuros sustentáveis criativos, como escreve Burnard (2017). De facto, as R-A podem constituir-se como momentos e experiências com essas características e efeitos. No entanto, em educação, a falta de regularidade, sistematicidade e generalização de qualquer área do conhecimento pode ser completamente irrelevante para a própria educação e formação dos alunos, tornando-se pouco ou nada significativa e gerando desigualdades. No caso das R-A, as desigualdades e disparidades são mesmo entre crianças da mesma escola, uma vez que apenas uma turma da escola tem sido a feliz contemplada a participar nesta vivência artística.
Neste quadro, e apesar de consideramos de grande importância a criação e organização de R-A nas escolas do 1º ciclo do ensino básico, não podemos deixar de continuar a lamentar a falta de uma educação musical e artística regular e completa acessível a todos os alunos e que consequentemente poderia potenciar o trabalho de caráter pontual desenvolvido nas R-A por músicos artistas, não professores, em vez de torná-los numa passagem do cometa Halley.
Só uma política educativa para o desenvolvimento da educação artística no ensino geral, e com uma estratégia clara, articulada, fundamentada e sustentada, poderá produzir futuros melhores que sustentem uma cidadania mais ativa e mais criativa. As artes, nas escolas, continuam em falta e a fazer falta.
1http://educacaoartistica.dge.mec.pt/residencias-artisticas.html
2https://tnsc.pt/residencias-artisticas-2019-teatro-nacional-de-sao-carlos/
Burnard, P. (2017). The imperative and possibility of diverse musical creativities in policy and practice. In Girdzijauskiene, R., Satkelum, M. (eds) Creativity and Innovation. EAS. Innsbruck: Helbling. (pp. 15-31).
Koutsoupidou, T.; Hargreaves, D. (2009). An experimental study of the effects of improvisation on the development of children's creative thinking in music In Psychology of Music - PSYCHOL MUSIC. 37. (pp.251-278).
Manuela Encarnação
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