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Editorial da APEMNewsletter - Abril - 2020

Editorial da APEM Newsletter - Abril - 2020

O ensino à distância e a música

Sabendo-se que a modalidade de ensino à distância é agora uma obrigação, de que forma os professores de música interiorizaram e operacionalizaram este novo paradigma educativo que estamos a viver? Sozinhos profissionalmente, não estamos, já que os mesmos problemas afetam também o resto do mundo. A leitura do blog de Anna Gower1, formadora e consultora em música na educação, é disso prova: as preocupações, dúvidas e receios são os mesmos em todo o lado.

Como podemos nós trabalhar à distância e de forma assíncrona? Quem foi apanhado de surpresa - provavelmente a maioria - e sem formação na área, o primeiro instinto seria replicar em vídeo uma aula presencial: por exemplo, um aquecimento, seguido de atividades musicais como cantar, tocar, improvisar, depois passar para uma audição de repertório e movimento – numa organização para 50 ou 90 minutos. Demasiadas etapas para o aluno conseguir compreender e progredir sozinho. O mais certo seria avançar o vídeo sem o visualizar, como tantas vezes nós próprios fazemos. Por isso, sugerimos que os conteúdos em vídeo tenham como princípio falar menos/ ouvir, fazer e criar mais - daí o nome nosso projeto Cantar Mais, disponível há cinco anos.

Fazer um vídeo para enviar aos nossos alunos, pode ser uma excelente estratégia se formos diretos ao assunto, objetivos no que há a fazer, algo que os alunos possam ouvir/observar, tocar/cantar/compor à medida que ouvem e com um nível de desafio que os motive para fazerem e repetirem algumas vezes até ficar bem.

Encontrar um equilíbrio, em pouco mais de uma semana, entre a música como parte do bem-estar e a música como parte do currículo, também não é fácil. Não é fácil produzir conteúdos relevantes que cheguem a todos os alunos alguns com fracos recursos, pouca qualidade de internet e outros até que não têm ou não sabem usar tecnologia. E evidentemente que temos de ter isso em conta.

Existem também muitos outros recursos disponíveis que podemos usar (https://www.apem.org.pt/apoio-ao-professor/recursos-web/) definindo-se uma tarefa musical para os alunos realizarem e que saibamos que todos a poderão fazer autonomamente. Pedir um retorno posterior é fundamental. Pode ser em vídeo, em mensagem áudio, em texto, uma fotografia...

Não esperemos que tudo possa ser igual. Não é nem deve ser. Estamos a reinventarmo-nos.

Destacamos a importância do trabalho em equipa. As reflexões entre professores sobre o que corre bem ou mal, o que resulta ou não e toda essa partilha é uma peça chave do sucesso da nossa aprendizagem e da dos nossos alunos. De um estudo citado por Alexandre Homem Cristo no Jornal Observador2, aliás um artigo a ler na íntegra, conclui-se que “o fator decisivo para o sucesso é o grau de interação entre os alunos e os professores e, com tutores em diálogo personalizado, a probabilidade de sucesso e satisfação é muito superior(...). (...) é importante que os professores não assumam papéis meramente administrativos das plataformas digitais e mantenham contacto frequente com alunos — sendo isso aliás essencial para a satisfação de todos os envolvidos.”

E o que pensar das sessões síncronas que a maior parte das escolas quer incluir nos seus planos de ensino à distância? Na nossa opinião, é que sejam em número muito reduzido e de curta duração (30 minutos máximo), tornando-se apenas um ponto de contacto para esclarecimento de alguma questão, uma conversa sobre um tema específico ou uma apresentação. Não pode mesmo ser a replicação, de novo, de uma aula presencial.

Estar em casa não é o mesmo que estar na escola, tanto para professores como alunos. E, no entanto, podemos e devemos retirar todas as vantagens pelo facto de estarmos em casa, nomeadamente numa gestão mais flexível do tempo e com a possibilidade de poder chegar mais perto de alunos pouco participativos, por exemplo, organizando sessões síncronas por pequenos grupos.

Não nos esqueçamos de que os problemas colocados aos professores e alunos para a utilização de tecnologias síncronas ou assíncronas são diferentes e vão, forçosamente, obrigar a metodologias também diferentes para as respetivas funções. As tecnologias síncronas – videoconferências, voz bidirecional, chats, etc. - podem desempenhar um papel importante, nomeadamente no iniciar dos trabalhos, na constituição de grupos, no desenvolvimento de atividades e em apresentações. Mas também colocam muitos problemas: de compatibilidade de horários, da privacidade, de acesso, de estabilidade e/ou de apoio técnico. Todas estas questões têm levado a que se utilize as tecnologias síncronas de uma forma muito pontual e com fins limitados e bem definidos.

Vamos assim ser práticos e não esquecer que as aprendizagens essenciais em música, tanto no ensino geral como no ensino especializado, centram-se no ouvir, fazer e criar música e que isso agora tem de ser feito de forma diferente, mais autónoma e provavelmente até com mais liberdade.

1https://annagower.com/2020/04/18/back-to-home-school-on-monday-a-few-reflections/

2 https://observador.pt/especiais/o-ensino-a-distancia-funciona/

Manuela Encarnação


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